Namoro no trabalho. Pode?

Namorar no ambiente de trabalho é, geralmente, visto com maus olhos dentro das organizações, e pode resultar em transferências ou até mesmo na demissão do casal. Entretanto, de acordo com o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, Carlos Pessoa, não há amparo legal algum a essa prática. “Algumas empresas proíbem o namoro e até mesmo a permanência de parentes ou cônjuges no trabalho, mas isso é ilegal. O que as empresas podem fazer é proibir condutas inadequadas no ambiente de trabalho, tanto entre namorados como entre colegas”, explica.


Carlos Pessoa: “Algumas empresas proíbem o namoro e até mesmo a permanência de parentes ou cônjuges no trabalho, mas isso é ilegal”
Créditos: Alexandre Diniz
Para Pessoa, o relacionamento no ambiente de trabalho é algo natural, pois é nesse local onde se passa a maior parte do dia. É mais fácil, então, se envolver com alguém no trabalho do que em outro circuito. “As empresas precisam compreender que os solteiros, hoje, têm dificuldades em encontrar relacionamentos duradouros e a maior chance disso se concretizar é justamente no trabalho, onde passam a maior parte do dia”.

Existem dois tipos de romances no trabalho que podem ter um efeito desagregador sobre as equipes, segundo Pessoa. O primeiro quando um chefe namora um de seus subordinados. Neste caso, o chefe precisará se esforçar muito para mostrar que segue sendo imparcial, a despeito da relação.

“O segundo caso é mais complexo. Ele se dá quando a equipe percebe que um determinado empregado mantém uma relação com um ou uma chefe exclusivamente por interesse de carreira, o que se torna um fator de desagregação. Em todos esses casos acredito que a intervenção direta da empresa, por meio de uma proibição formal, apenas joga a relação para a clandestinidade, o que a torna ainda mais perigosa. A melhor opção é não proibir e promover debates e workshops para tratar do tema, evidenciando seus aspectos positivos e negativos. A conversa, o debate e a transparência são sempre a melhor política”, afirma.