Chegou a hora da certificação do pessoal de RH?

Cirlene Werneck, Vice-Presidente de Treinamento, Desenvolvimento e e-learning da ABRH-Nacional, acredita que não é mais possível adiar a discussão sobre a certificação do profissional de Recursos Humanos no Brasil. “Estamos mais de três décadas atrás de países como os Estados Unidos nessa questão”, ela assinala.

Enquanto os norte-americanos debatiam a certificação de pessoal de Recursos Humanos desde 1948 e começaram a fazê-lo em 1976, no Brasil somente em 2005 o Governo Federal propôs a criação do Sistema Nacional de Certificação Profissional, que vai definir um Repertório Nacional de Qualificações Certificáveis.

Cirlene: “Está na hora do profissional de Recursos Humanos investir em um programa de certificação”.
Para Cirlene, já há profissões no Brasil que adotaram modelos de certificação de sucesso como os advogados (OAB), contadores (CRC), os investidores (ANBID), gestores de projeto (PMI) e algumas áreas de tecnologia da informação (Microsoft, Oracle e Linux).

“Há sempre um intenso debate sobre a importância ou não de profissionais certificados, sobre o valor da certificação para o mercado de trabalho, entre outras questões, mas o que não se pode negar é que a certificação atua tanto no sentido de melhorar o nível dos profissionais que atuam em determinado setor como, inclusive, ajuda na formatação de programas curriculares que melhoram a qualidade do ensino. Além disso, a certificação ajuda os profissionais a se tornarem mais confiantes, a serem reconhecidos pela comunidade e, é claro, a aumentar a sua empregabilidade”, afirma Cirlene.

Segundo João Carlos Alexim, ex-Secretário Nacional das Relações do Trabalho e autor do artigo “Certificação Profissional: Avanços e Entraves, Dez Anos Depois”, publicado no site do SENAC e que você pode acessar aqui (link para http://www.senac.br/BTS/323/bts32_3_art3.pdf), “a forte justificativa para a certificação vem da possibilidade de alentar e instrumentar a educação profissional permanente, sobretudo na recuperação de saberes gerados fora da escola. A certificação reconhece conhecimentos independentemente da forma como foram adquiridos”, comenta.

A importância de processos de certificação profissional com credibilidade está sendo reconhecida, inclusive, pelas centrais sindicais, entre elas CUT e Força Sindical, que em fevereiro de 2006 lançaram o documento “Proposta das Centrais Sindicais para o Sistema de Certificação Profissional”, que você pode acessar aqui, onde propõem “a criação de entidades certificadoras públicas ou privadas que seriam responsáveis por processos de identificação, avaliação e validação dos conhecimentos, saberes, competências, habilidades e aptidões profissionais do trabalhador desenvolvidos em processos de aprendizagem formal ou informal”.

Durante o I Seminário Internacional sobre Certificação Profissional, promovido pelo Governo Federal, em novembro de 2005, e também no Fórum Internacional de Certificação de Pessoas, promovido em setembro de 2007, pelo InMetro, Gerald Ingersoll, da Associação Canadense das Universidades Comunitárias, entidade responsável pelo sistema de acreditação e certificação de pessoas do Canadá, assinalou que, a despeito da descentralização da educação no país, onde cada província toma suas próprias decisões, os processos de certificação profissionais no Canadá articulam-se de modo nacional em função do envolvimento de associações profissionais, que certificam a competência profissional das pessoas; instituições de ensino superior, que certificam conhecimentos acadêmicos; e os governos provinciais, que regulamentam o ensino superior e as associações profissionais.   

Para Cirlene Werneck, estimativas conservadoras apontam para a existência, no Brasil, de cerca de 1 milhão de profissionais que, de um modo ou outro, são responsáveis pela gestão de pessoas em suas empresas, sejam elas micro, pequenas, médias ou grandes. “Já temos a maturidade necessária para definirmos um programa de certificação pensado, desenvolvido e implementado não por esferas governamentais, mas pelas associações que representam os profissionais do setor. Como temos na nossa área profissionais das mais diversas formações e uma ampla área de atuação dentro das organizações, temos a certeza de que o primeiro grande ganho do processo de certificação será o de provocarmos uma ampla discussão a fim de definirmos o Corpo de Conhecimentos necessário ao Profissional de RH. A partir daí, virão outras ações visando a qualificação e o desenvolvimento dos profissionais de RH”, afirma Cirlene.

Outra questão importante a ser frisada é o quanto a certificação contribui positivamente nos processos seletivos: “Para as empresas, a certificação é um dos critérios para selecionar novos talentos. Nós, do RH, que valorizamos as certificações no processo seletivo, sabemos que profissionais de RH certificados estarão mais preparados e trarão resultados superiores para as suas organizações” complementa Cirlene.

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