...::: ABRH-Nacional :::...
 
13-11 - Espere Mais de Você
Peter Block

Em nossos esforços pela criação de um ambiente de trabalho favorável à responsabilidade, ao alto desempenho e à satisfação, costumamos pensar que, se o gerenciamento mudar, a organização também muda. Por isso, treinamos os gerentes, escrevemos artigos para eles, damos consultoria e fazemos deles o centro das atenções.

Pode ser que o problema com gerentes e líderes não esteja tanto em seu comportamento, mas na profundidade e intensidade das expectativas que nutrimos em relação a eles. Nós insistimos em que chefes sejam nossos mentores, que se responsabilizem por nosso desenvolvimento. E nos aborrecemos quando eles não agem com integridade, não trabalham bem em conjunto, não articulam uma visão clara ou não defendem ardorosamente as idéias da equipe ou as nossas.

Talvez seja o caso de exigir mais dos empregados. Talvez eles sejam a causa, e o gerenciamento, o efeito. A sensação de inutilidade que sentimos pode vir do fato de estarmos cobiçando o prêmio errado.

Manifesto pelos Empregados

Aqui estão algumas perspectivas para eu e você equilibrarmos a equação:

1. Contribua para o sucesso e o bem-estar da organização, sem se preocupar com o modo como é administrada. Pare de pensar que a organização tem de conquistar a sua lealdade. Comprometa-se com seus objetivos e seus clientes, ainda que a equipe de gerenciamento não esteja comprometida com você.

2. Seja o seu próprio mentor. Encontre meios de ser o seu professor e ponto de apoio. Não espere pelo chefe ou pela empresa. Pague pelo seu estudo, contrate coaches e planeje a sua formação.

3. Considere o gerente e o chefe como seres humanos esforçados, tão capazes de fazer o que pregam quanto você. Tenha empatia pelo chefe que tem você como subordinado. Além disso, a maioria dos chefes estão mais preocupados com os chefes deles do que conosco. E por que eles seriam diferentes de nós?

4. Aprenda sobre a administração da empresa. Torne-se economicamente bem informado. Conheça a conexão orçamento-custo-receita de tudo que tocar. Aprenda a executar o máximo possível de tarefas; descubra o que os clientes querem e como atendê-los. Faça isso, ainda que o pagamento não seja compensador.

5. Responsabilize-se pelo sucesso dos colegas. Apóie seus esforços pela aprendizagem e concentre-se em seus pontos fortes, em vez de se desapontar com suas falhas. Seja seu mentor; veja seus pontos fracos como uma oportunidade de exercer o perdão e a tolerância. E se discordar deles quanto a atribuições ou orçamento, ceda.

6. Aceite a imprevisibilidade da situação. O futuro é um mistério. Quem sabe por quanto tempo vão persistir as atuais condições? Deixe para os outros a tarefa de prever o futuro. Nosso destino é hoje.

7. Esqueça a ambição de passar “à frente”. À frente de quem? Pare de competir com quem está em volta de você. Talvez você não consiga uma promoção. Talvez o seu salário tenha chegado ao máximo possível. A sua melhor esperança de prosperidade é o crescimento da organização, e, ainda assim, pode ser que você não receba a recompensa justa. Além do mais, é muito comum as pessoas subirem na carreira e enfrentarem depressão.

8. Considere as reuniões e conversas como investimentos no relacionamento. Dê mais valor a um relacionamento humano do que a um eletrônico. Considere o contato pessoal como a principal finalidade da reunião; cada decisão tomada é um bônus. Não se importe de dar por encerrada uma reunião sem ter organizado uma lista ou formulado um plano de ação. A maioria dos planos muda nos primeiros cinco minutos, e listas não passam de uma relação de coisas que não queremos fazer realmente.

9. Cumpra as suas promessas e pare de tomar conta do que os outros fazem. A clareza e integridade das suas ações vão mudar o mundo. Pare de pensar e comentar sobre o comportamento dos outros. Deixe de lado o desapontamento com seu modo de ser e de agir. Talvez eles tenham algo mais importante a fazer do que satisfazer as suas necessidades.

10. Se tem de haver mudança, que comece por você. Gandhi falou: “Se algum sangue for derramado, que seja o nosso.” Mude o seu modo de pensar, em seu próprio benefício, e não como uma manobra oculta para controlar os outros. As pessoas não são “alvos da mudança” nem recursos ou objetos a serem administrados para atingir os seus objetivos.

11. Aceite que os problemas mais importantes não têm solução permanente. Não existe nova política, estrutura, legislação ou declaração que resolva totalmente. O esforço é a solução. Justiça e progresso sempre acontecem localmente, ao nosso alcance, em nossa unidade, como resultados da nossa atuação sobre a vizinhança imediata. A transformação começa no nosso endereço e se espalha pela vizinhança.

12. Pare de perguntar “Como?” Temos habilidades, métodos, ferramentas, capacidade e liberdade para fazer o que for preciso. Basta determinação e coragem para escolher, agir e suportar a casualidade dos eventos. Adote as suas próprias medidas que tenham significado, e reconheça que os resultados podem não ser o aspecto mais importante. A integridade e o entusiasmo de suas ações podem ser a medida final. O que chamamos “resultados” podem ser simplesmente conseqüências passando diante de nós.

13. Finalmente, pare de procurar esperança nos olhos e nas palavras daqueles que detêm o poder. O que podemos fazer com a esperança é oferecer, e não solicitar. Em última análise, o que quer que estejamos procurando em nossos líderes só pode ser encontrado no espelho – e isso não é tão ruim.

A questão é confrontar a passividade, o isolamento e a insatisfação que se espalham em nossos ambientes de trabalho. Somos todos agentes poderosos da criação da cultura, e, no entanto, ignoramos isso quando agimos como se os gerentes fossem os principais agentes da mudança. Não queremos com isso isentar de responsabilidade os líderes e gerentes já que a maneira como empregam seu poder faz a diferença. Mas todos temos nossa parte nessa responsabilidade.

Se pudermos agir com base no que sabemos ser verdadeiro, podemos encontrar na literatura, na música e na arte o que hoje buscamos nos livros, consultores e terapeutas.

Peter Block faz parte do conselho-diretor da Association for Quality and Participation. Este artigo foi adaptado de sua coluna em News for a Change.Espere Mais de Você